O que os brasileiros pensam da Noruega?

O que os brasileiros pensam da Noruega?

Primeiramente gostaria de pedir desculpas aos meus leitores pela demora com os posts, beklager! Mas estou aqui novamente com um novo texto para todos vocês, este inclusive foi sugerido por um leitor do blog que comentou no meu post antigo “O que os noruegueses pensam do Brasil?“, obrigada pela ideia incrível!

Durante os últimos meses, eu estive perguntando para os brazucas que moram na Noruega sobre como é a vida lá para eles. Foram cinco pessoas entrevistadas ao todo, mas muitas tiveram muito o que falar, além disso, por terem sido cinco perguntas, ficaria muito extenso escrever e traduzir a opinião de mais pessoas, não é mesmo?

As perguntas foram as seguintes:

1. Qual foi o motivo que te levou a ir à Noruega?

2. Como foi o processo de adaptação?

3. O que você acha dos noruegueses e da cultura deles?

4. O que você sente mais falta do Brasil?

5. Como foi para aprender norueguês e fazer amigos?

Eu resolvi traduzir as respostas em inglês para poder mostrar aos meus amigos noruegueses, achei justo também traduzir, uma vez que no meu outro post eu fiz o mesmo para que os brasileiros entendessem suas opiniões sobre o nosso país, hehe.

Adriana, 40 anos, 8 anos morando em Tønsberg.

“Meu marido é norueguês e não tem condições de trabalhar no Brasil.”

“My husband is Norwegian and has no conditions to work in Brazil.”

“Foi ótimo e rápido. Eu costumo dizer que me adaptei 5 minutos depois que desci do avião. País lindo, natureza perfeita. A Noruega dá oportunidade de estudo e emprego. Aqui só não evolui quem não quer.”

“It was great and fast. I’m used to say that I adapted within 5 minutes after I got out of the plane. Beautiful country, perfect nature. Norway gives the opportunity to study and to work. Here everyone evolves.”

“Os noruegueses são muito tímidos e também muito fechados. Mas, uma vez que você abre o coração e conversa com eles, eles se tornam grandes amigos.”

“Norwegians are really shy and closed. Once you open your heart and talk to them, they become great friends.”

“Do Brasil, eu só sinto falta da espontaneidade do povo brasileiro. O sorriso espontâneo. Aqui as pessoas andam muito sérias.”

“The only thing I miss about Brazil is the lack of spontaneity of the Brazilian people. The spontaneous smile. Here people walk very serious.”

“Aprender norueguês foi chato e doloroso. Tive que me dedicar umas 8 horas por dia. Por esse motivo não fiz amigos aqui nos primeiros 4 anos. Hoje em dia tenho poucos bons amigos. Duas norueguesas e umas brasileiras. O povo norueguês é muito dificil de fazer amizade.”

“Learning Norwegian was boring and painful. I had to devote myself about 8 hours a day. For that reason I didn’t make any friends in the first 4 years living in Norway. Today I have good friends. Two norwegians and two brazilians. The Norwegian people are complicated to make friends.”

Neia, 42 anos, 10 anos morando em Fauske.

“A primeira vez que vim a Noruega foi pra visitar minha irmã (minha irmã veio pra trabalhar como enfermeira). Enquanto estava aqui, arrumei um namorado norueguês, me casei e fiquei.”

“The first time that I ever came to Norway was to visit my sister (she came to work as a nurse). While I was here, I got myself a Norwegian boyfriend, we got married and I stayed.”

“Me adaptei muito rápido e fácil, pois gosto de como tudo aqui funciona, pessoas educadas (alguns podem dizer frias), muito respeito pela privacidade alheia, pessoas honestas…”

“I adapted really quickly and easily, because I like the way everything works around here, people are polite (some can say they’re cold), much respect for the privacy of others, honest people…”

 “Quanto a cultura, eles levam muito a sério, e pode se dizer que é cada um na sua, cada um cuidando da sua própria vida (moro aqui há dez anos e nunca um vizinho veio me visitar).”

“They take their culture very seriously, and everyone minds their own business (I live here for 10 years and never has a neighbor come to visit me).”

“Sinto falta do calor humano brasileiro, e da minha família”

“I miss the Brazilian warmth and my family”

“Fui durante um ano para o Norskkurs, acho difícil a pronúncia de algumas vogais que tem aqui como: å , æ , ø, continuo aprendendo todos os dias …. É muito difícil fazer amizade com noruegueses, tenho colegas de trabalho, mas amigos nenhum.”

“I went to Norskkurs for one year, I find the pronunciation of some vowels to be very difficult as in: å , æ , ø, and I keep on learning everyday… It’s really hard to make friends with Norwegians, I have some work colleagues, but friends, none.”

Rafaella, 26 anos, 2 meses morando em Ulefoss, Telemark.

“Vim pra cá porque me apaixonei quando comecei a pesquisar. Eu sempre quis morar fora do Brasil e convenhamos que nosso país não vai nada bem. Vim como Au Pair.”

“I came here because I fell in love when I started researching. I always wanted to live outside Brazil, and let’s be honest, our country is not doing well. I came as an Au Pair”

“Minha adaptação foi super rápida, tanto no fuso, como com o clima, parece que nasci aqui”

“My adaptation was super quick, both in time and the weather, it just seems as if I was born here”

“As pessoas aqui são muito legais, muito receptivos, amam saber coisas sobre o nosso país, estão sempre perguntando”

“People around here are very cool, very receptive and they love to know stuff about our country, they are always asking about it”

“O que mais sinto falta do Brasil, além da minha família, das minhas cachorrinhas e meu gato, é a comida sem dúvida… A comida aqui deixa a desejar bastante.”

“What I miss the most about Brazil, besides my family, my dogs and my cat, is the food no doubt about that… the food here falls short.”

“Estou passando mal aqui pra aprender norueguês… É difícil, complicado, confuso, a pronúncia me deixa louca… Aos poucos tenho feito bastante amigos aqui, tanto da parte da minha host family como por aí pela vida, todos são muito receptivos aqui.”

“I’m having a hard time to learn Norwegian. It’s difficult, complicated, confusing, the pronunciation makes me go mad. Little by little I have been making friends here, both on the part of my host family as well as in life, everyone is very welcoming here.”

Sandra, 43 anos, 1 ano morando em Kirkenes.

“Eu vim para a Noruega por causa de um namorado, quando estive aqui pela primeira vez, eu me apaixonei! Mais pelo país que pelo namorado…”

“I came to Norway because of a boyfriend I had, when I came here for the first time I fell in love! More about the country than about the boyfriend.”

“É meio complicado falar disso, pois, no início, por estar empolgada, maravilhada, encantada com o país e as pessoas….. eu quase não sentí dificuldades com nada! A não ser o frio, que por não entender nada de como se vestir e o que vestir, eu acabei tendo muitos gastos desnecessários, comprei muita roupa errada que no final não serviu pra nada! Fora isso, veio a questão do idioma, com o qual ainda tenho dificuldades. Tirando o idioma e a dificuldade em saber como me manter adequadamente aquecida, a adaptacão foi tranquila e agradável, e na verdade o frio é até divertido.”

“It’s kind of complicated to talk about it, because, early on, as I was very excited, amazed and enchanted by the country and its people, I almost didn’t have any difficulties! Except maybe the cold, since I didn’t understand anything about the dress code, I ended up having a lot of unnecessary expenses, I bought a bunch of wrong clothes which, at the end, did not have any use! Other than that, there’s also the language, that I still have difficulties with. Apart from the language and the difficulty in knowing how to keep myself properly warm, the adaptation process was very pleasant, and, in fact, the cold can be quite fun.”

Os Noruegueses são pessoas extremamente agradáveis e fáceis de conviver…. mas são também dissimulados. Eles têm um caráter muito forte e valores bem estabelecidos sobre temas importantes, família, por exemplo. Ao mesmo tempo que para eles a família é o mais importante, eles não pensam duas vezes antes de dissolver essa união. Ou seja: existe um botãozinho do “hoje eu te amo” e o “não te amo mais!” simples assim: ninguém é de ninguém e se não ta bom, tchau! Os filhos, a gente divide a responsabilidade e pronto! Mas tem outros aspectos da cultura deles que são bem interessantes também, como o dia da constituicão, as boas-vindas ao verão (com muitos festivais de música, teatro, maratonas, triathlons que são bem bacanas), no entanto, é também uma cultura individualista.”

“Norwegians are extremely nice people and easy to get along with …. but are also very dissimulated. They have a very strong character and values well established on important issues, family, for example. While for them the family is the most important thing, they don’t think twice to dissolve it. In other words, there is a little button of “I love you today” and “I don’t love you anymore!”, simple as that: no one is anyone’s possession and if you’re not okay with that, bye! We share the responsibility when it comes in taking care of the children! But there are many other aspects of their culture which are very interesting too, as the Constitution day, the welcoming to the summer (with many music festivals, theater plays, marathons, triathlons, very cool), however, is also an individualistic culture.”

“Definitivamente o sol! Só agora entendi o valor de ter sol o ano inteiro. Mesmo no nosso inverno, ainda dá pra pegar uma praia, ir ao clube…. mas aqui, entrar no mar? Nem no verão! A água é fria de doer os ossos.”

“Definitely the sun! Only now I understand the value of having sunshine all year-round. Even in our winter, we can still go to the beach, the club… but here, go to the sea? Not even in the summer! The water is bone-aching cold.”

Eu me matriculei  em um curso de norueguês, um curso intensivo de 7 horas por dia, 5 dias da semana. Foi uma tortura! Nos 3 primeiros meses eu não entendia uma palavra sequer do que diziam, e todos os dias eu me perguntava o que eu estava fazendo ali. Eu tinha dores de cabeça e às vezes até chorava por causa da frustracão, por não entender nada! Até que um dia, eu finalmente entrei na sala de aula e entendi o que o professor havia dito. Daí por diante eu comecei a entender palavras soltas, depois de um certo tempo eu já estava falando com qualquer criança que eu via pela frente (com adultos não, porque eu tinha vergonha, porque eu sabia que eu falava ainda direito), mas com as criancas que eu encontrava pelo caminho de volta pra casa, eu tentava me comunicar. Hoje todos dizem que eu sou muito boa no idioma, os próprios noruegueses dizem isso, ficam espantados comigo. Sobre fazer amigos, eu acho que isso eu não consegui. Sim, eu tenho boas relações, conheco muita gente, e muitos deles são noruegueses, mas, eu não consigo confiar neles, já que a lei aqui é cada um por si! Eu não acho que os noruegueses são amigos verdadeiros, eles são “conhecidos”, pessoas mais chegadas, mas amigos? Não! Em relação aos brasileiros… infelizmente eu preferí me manter neutra no assunto amizade. O que percebi por aqui é que a maioria dos que vieram pra cá, acabaram esquecendo das suas raízes, origens e cultura. Os brasileiros que conheci na Noruega se tornaram pessoas soberbas, fúteis e egoístas também. Não agem como lá no Brasil, que a gente se une, se ajuda e se preocupa até com o vizinho que está com dificuldades. A amizade de brasileiro aqui se resume às fofocas e party, party, party.
“I enrolled in a Norwegian course, an intensive course of seven hours a day, 5 days a week. It was torture! The first 3 months I didn’t understand a word of what they said, and every day I wondered what I was doing there. I had headaches and sometimes I even cried because of the frustration of not understanding anything! Until one day, I finally entered the classroom and understood what the teacher had said. From then on I began to understand random words, and, after a while, I was talking to any child I saw ahead (I wouldn’t talk with adults because I was embarrassed since I knew I wasn’t speaking completly right), but with the children I would meet on my way back home, I constantly tried to communicate. Today, everyone says that I’m very good at the language, the Norwegians themselves, say that they are amazed by me. About making friends, I think that I still couldn’t make any. Yes, I have good relations, I know many people, and many of them are Norwegian, but I feel I can’t trust them, since here is every man for himself! I don’t think that Norwegians are true friends, they can be close to you, but friends? No! Regarding the Brazilians … unfortunately I preferred to keep it neutral on the friendship matter. What I noticed here is that, most of those who came here, ended up forgetting their roots, origins and culture. The Brazilians I have met in Norway have become superb, vain and selfish. They don’t act like in Brazil, where we are unite and care even for the neighbor. The Brazilian friendship here comes down to gossip and party, party, party.”

Matheus, 16 anos, morando há 3 anos em Aure.

“Minha mãe se casou com um norueguês e então eles decidiram se mudar para a Noruega para eu poder ter um estudo melhor e me formar aqui.”

“My mom got married to a Norwegian, then they decided to move to Norway so that I could have a better study life and graduate here.”

“Adaptação foi bem fácil pra mim, eu já morei em Portugal e já tinha me acostumado com o clima e coisas assim. A única coisa que eu não me adaptei ainda é modo deles, um dia eles falam outro dia não. É meio estranho, são “bipolar”.

“The adaptation was pretty easy for me, I had already lived in Portugal and I got used to the climate and things like that. The only thing that I haven’t adapted yet is their way, one day they talk to you, the other day they don’t. It’s rather strange, it seems as if they are ‘bipolar’.”

“Eu gosto muito dos noruegueses e da cultura também, eu acho que eles são um pouco frios. Da cultura, eu não tenho muito a falar…”

“I like the Norwegian people a lot and their culture as well, I think they are a bit cold. I don’t have much to say about the culture.”

“O que eu mais sinto saudades do Brasil são os amigos e o calor brasileiro, as festas, as zueiras…”

“What I miss the most about Brazil is the friendship and the brazilian warmth, the parties and the “zueiras“.

“Aprender norueguês não foi tão difícil, pois eu fiz bastante amigos. O melhor método de arrumar amigos aqui é indo para as montanhas e jogando futebol, houve bastante comunicação e eles me ensinaram bastante. Depois de 6 meses estando aqui eu já estava entendo o norueguês e falando pouco, então eu não achei tão difícil aprender, basta ser bastante social e querer fazer amigos.”

“Learning Norwegian wasn’t as difficult as I have made a lot of friends. The best method to make friends here is going to the mountains or playing football, there was communication and they taught me a lot. After six months being here, I was already understanding the Norwegian language and speaking a little, so I didn’t find it so difficult to learn. All you gotta do is just be social and be willing to make friends.”



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