Minha aventura congelada: Bergen

Minha aventura congelada: Bergen

A minha viagem para Noruega sofreu muitas alterações — algumas dessas porque eu quis, outras porque eu não tive opção. Logo que cheguei em Bergen, eu enfrentei um problema: minha mala tinha sido extraviada. Fui então para casa do meu host, que conheci através do Couchsurfing e esperei que a SAS (Scandinavian Airlines) entrasse em contato comigo. Algumas horas depois, minha mala chegou na casa onde eu estava ficando e então pude relaxar.

No dia seguinte, eu me mudei novamente. Eu recebi um convite de um norueguês — o qual eu já tinha conhecido no Rio — para eu ficar na casa dele, e pela localização mais central e pelo fato da casa ser maior e limpa, eu acabei aceitando.

Mais uma vez, eu estava em Bergen com o céu limpo, azul e o sol forte. Fiquei me vangloriando, pois era a segunda vez que eu ia para lá e a chuva não aparecia. Foram dois dias com temperaturas ótimas — mais ou menos 7º C. Fui no tourist center pensando em comprar o pacote da Norway in a Nutshell, mas concluí que não valeria a pena, pois ia gastar rios de dinheiro para passar apenas 30 min em Flåm.

O legal dessa viagem é que eu reencontrei amigos e conheci gente nova!

No Brasil, eu sou tímida e medrosa, costumo me esconder de tudo e de todos. Lá, eu estava mais aberta e falante, assim aproveitei o fato de estar longe dos meus amigos e parentes, para tentar ser mais sociável — e foi o que eu fiz!

Eu passei meus primeiros dois dias em Bergen com uma pessoa nova que eu conheci lá. Ele me levou para uma montanhazinha, me mostrou abrigos escondidos que foram criados durante a Segunda Guerra Mundial, me levou a uma “praia” à lá Noruega e fomos a 3 diferentes pubs. Também conheci alguns amigos dele e foi quando eu comi a famosa pizza Grandiosa pela primeira vez — gostei bastante!

Após essa pessoa ter ido embora para outra cidade, eu combinei com um amigo meu da gente se encontrar. Conversamos sobre as nossas viagens e depois comemos no Mc Donald’s. Falei com ele que gostaria de ir em uma boate e ele me perguntou se eu queria fazer hiking.

O tempo que antes estava perfeito, fechou completamente, muita chuva e muito vento — era tão forte, que eu era empurrada naturalmente sem precisar mover meus pés. Eu sabia que o tempo em Bergen era ruim, mas não desse jeito!

Me encontrei com meu amigo com o intuito de fazer hiking na montanha de Løvstakken, mas não deu certo pois estava escorregadio por causa do gelinho, e porque ventava muito. Ele insistia para que continuássemos subindo, mas eu confiei no meu instinto e disse que queria voltar. No meio do caminho, andando do centro da cidade até a tal montanha, eu pude visitar um dos campus da Universidade de Bergen e vi um busto do Ivar Aasen (linguista que criou o Nynorsk). Mais tarde, fomos a um quiz em um prédio estudantil, onde u conheci alguns amigos desse meu amigo. Achei divertido, pois eu fui a única do grupo a conseguir identificar na folha que nos foi dada, que o padrão da suéter da foto era da Islândia, e que o maior roedor do mundo se chamada “capivara”.

As pessoas que conheci lá eram bem simpáticas — um dos amigos do meu amigo várias vezes pediu para que o pessoal falasse em inglês por minha causa, para não me deixar de fora, mas eu insisti pedindo para que continuassem com o norueguês, porque eu finalmente estava entendendo o dialeto de Bergen!

Tentei ir também eu uma boate em Bergen, mas a única que eu e meu amigo encontramos aberta (KAOS) — em plena quinta-feira — tinha apenas mesinhas e música alta. As pessoas iam para lá para sentar e beber, e não dançar. Então, cansada do dia longo que eu tinha tido, eu desisti e fui embora dormir.

Em Junho de 2015, se me lembro bem, eu tinha me inscrito para trabalhar como voluntária em diversos festivais na Noruega. Depois de alguns meses sem respostas, eu desisti da ideia de voltar para lá e acabei tentando me candidatar para outras oportunidades em outros lugares. Nenhum plano que eu tinha em mente estava acontecendo do jeito que eu gostaria — na verdade, todos eles fracassaram — e para piorar, nem as entrevistas de estágio e emprego das quais eu participei, eu tinha conseguido passar. Eis que, do nada, eu recebo uma resposta de um festival de Black Metal chamado Blastfest, dizendo que eu fui selecionada para trabalhar lá.

Embora o Blastfest tenha me inspirado para voltar para a Noruega e tenha sido, de fato, uma experiência super legal — que recomendo, inclusive — eu não trabalhei a quantidade de dias que eu deveria, mas isso eu vou explicar ao decorrer deste texto.

A minha tarefa como stagehand no festival consistia em carregar instrumentos, montá-los e carregar todos os adereços das bandas: desde cabeças de ovelhas, caixões até um sino gigante, ou seja, eu virei uma roadie por um dia. Talvez o único problema de ser voluntária fosse o fato de não nos terem dado comida — me disseram que só chegaria às 21hrs — acho que se queriam mão de obra de graça, o mínimo que podiam fazer é oferecer comida durante o dia inteiro, afinal, eu conheci duas pessoas que trabalharam desde as 10:30 da manhã até 00:00 do dia seguinte. Pelo menos, às 19 horas, quando eu estava indo embora, os membros da equipe acabaram pedindo pizza para alguns voluntários. Se não fosse pela romena que eu conheci lá, eu provavelmente teria desmaiado de fome — sorte que eu tomei café da manhã no Mc Donald’s antes de andar até o USF Verftet — local onde o festival aconteceu.

Eu tive um mini surto quando a garota disse que era da Romênia. Comecei a falar sobre todos os artistas e bandas que conhecia  e ela ficou meio chocada que eu conhecia tanto sobre a música romena haha.

Em alguns momentos eu achei o festival desorganizado. Eu cheguei pontualmente, no horário combinado —10:00 da manhã — mas não tinha ninguém lá para me receber. O chefão do festival se atrasou um pouco, 30 min, mais ou menos, e eu e mais 3 pessoas ficamos do lado de fora esperando alguém chegar para abrir a porta do lugar. Além disso, nós deveríamos ter recebido pulseirinhas para comprovar que éramos membros da equipe, mas nos informaram que a menina (também voluntária) responsável por distribuí-las tinha perdido, e que teríamos que usar só as nossas camisetas como credenciais. Cada área tinha uma camiseta específica — a minha era totalmente preta com o nome do Blastfest na frente e atrás “crew” e “Satan’s Little Helper” — e lembro que os voluntários da segurança tinham camisetas vermelhas.

O USF Vertfet era bem legal e espaçoso. Tinham 4 palcos, o principal — Røkeriet — e os outros dois pequenos — Studio e Sardinen. Eu vi shows no Sardinen e no Røkeriet porque eram próximos um do outro e porque eu não iria ficar até o final e precisaria sair rápido de lá. Todos os shows que eu vi foram muito bons! Eu realmente achei que o festival fosse só voltado para o Black Metal, mas englobava na verdade outros gêneros de metal também.

Não fiquei para assistir Abbath, nem Gorgoroth. Me arrependi da minha decisão durante o festival. Me senti muito mal por não ter ficado até o final, mas os dias seguintes da minha viagem não me decepcionaram e acabei ficando feliz por ter ido para Ålesund. Eu vi o show do Kampfar (do palco)  — a banda que eu mais queria ver — um pouco de Dødheimsgard e outras bandas underground aleatórias no palco Sardinen: Reptilian e Sublime Eyes. 

Aquela pessoa que eu tinha conhecido lá no começo da minha viagem em Bergen, me perguntou se eu não gostaria de ir para Ålesund. A mãe dele muito gentilmente me apanhou na casa do meu host e me levou ao aeroporto de Bergen. Era meu 10º destino na Noruega e eu me apaixonei pelo lugar!


Outras informações:

Norway in a Nutshell

KAOS

USF Vertfet

Blastfest

Bergen – Visit Norway

Hordaland Kommune

Universitet i Bergen

Kampfar – Site Oficial

Sublime Eyes – NRK P3

Sublime Eyes – Facebook

Reptilian – Facebook

Dødheimsgard – Wikipédia

Dødheimsgard – Facebook

 



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