Minha aventura congelada: Tromsø

Minha aventura congelada: Tromsø

Jamais na vida pensaria que teria a oportunidade de ultrapassar o círculo polar ártico, e nessa minha segunda viagem à Noruega, pude fazer isso!

Minha ideia inicial era viajar para a Alta com um amigo, mas acabamos deixando de lado pois ele me disse que as estradas poderiam ser fechadas devido a nevascas. A única certeza que eu tinha era que eu não ia enfrentar o inverno norueguês, sem tentar ver a aurora ou fazer corrida de trenó de cachorro.

Eu procurei lugares para ficar em outras cidades ao norte, pois não queria seguir uma programação altamente turística, que todo mundo costuma fazer quando viaja.  Queria ir para algum lugar inusitado, mas que ainda sim me proporcionasse as experiências invernais que eu queria. Optei por Tromsø pela facilidade de encontrar alguém para me hospedar.

De fato, a quantidade de turistas na capital do ártico era absurda, e isso me incomodou bastante em alguns momentos, já que as filas no tourist information eram gigantes! A cada esquina tinha um asiático super hi-tech com sua câmera tirando fotos sem parar.

Tromsø é aquela cidade que você fica abismada com a beleza, as montanhas são incríveis, o centro da cidade é a coisa mais surreal da vida. E eu, que via tantas fotos na internet e pensava que jamais teria condições de ir para o norte da Noruega, fiquei com vontade de chorar quando me passeei no centro da cidade pela primeira vez.

Logo no primeiro dia que cheguei na cidade, eu encontrei um casal de velhinhos super fofo que me ensinou o caminho a pé até o centro de Tromsø. Eles foram conversando comigo e ficaram animadíssimos quando eu comentei que eu era do Brasil. Fiquei muito feliz quando eles pararam para conversar com uma vizinha, e eu pude entender a conversa quase inteira, mesmo eles falando no dialeto deles.

*Os noruegueses que eu conheci em Tromsø foram muito legais comigo, super simpáticos e falantes!

Não sabia o que fazer, eu tinha acabado de chegar em Tromsø, mas queria aproveitar o tempo que eu tinha lá. Andei até um museu chamado Polaria, que acabou sendo uma grande decepção no final. O preço dos ingressos variam, mas eu paguei 70 kr por ser estudante, e ainda sim achei caríssimo para o que ele oferecia. Na minha opinião, o museu é na verdade, uma grande armadilha para gringo — tudo que eles têm lá são aquários com peixes, umas focas que fazem piruetas em uma piscina super pequena e um filme de 3 min sobre a aurora polar. Dica nº 1: se for a Tromsø, não vá ao Polaria. 

Fui também em outro museu chamado Polarmuseet (o museu polar), que é bem interessante. Mesmo esperando mais do museu, achei informativo. Basicamente fala sobre as expedições polares e conta a história principalmente do Roald Amundsen — o primeiro a chegar ao polo sul e Fritjof Nansen — outro grande explorador norueguês.

A cidade é extremamente cara, cada passagem de ônibus custava 50 kr. Dica nº2: se ficar mais de dois dias em Tromsø, compre a passagem que valé até 7 dias, será mais barato assim. Meu dinheiro rapidamente se esvaiu (acabei tendo que usar cartão). Cada tourzinho pode custar de 600 kr a 2800 kr. Eu comprei 4 tours diferentes e eu paguei por volta de 1200 kr em cada um (cerca de 512 reais).

Sabe aquela facilidade de se locomover de trem de uma cidade para a outra, e aquela infraestrutura invejável (embora não perfeita) que a Noruega tem? Então, quanto mais ao norte, mais difícil é o acesso para as cidades e mais isoladas elas são uma das outras. Só é possível chegar de avião, ou através de cruzeiros, como é o caso da Hurtigruten. Eu felizmente acabei conhecendo lugares perto devido aos tours que eu comprei. Fui para duas ilhas — Kvaløya e Sommarøy — e se não fossem por estes tours, provavelmente eu não teria conhecido tanto. Mesmo sendo um lugar lindo, habitado por turistas e estudantes, pelo menos durante o inverno, Tromsø me pareceu ser meio pacata demais. Dica nº3: ficar apenas 3 dias é mais que o suficiente.  

Trenó com as Renas

A primeira atividade que eu fiz, foi um tour com as renas e os samis, que foi simplesmente incrível! Fomos para um lavvo (uma tenda onde os samis costumavam dormir antigamente), onde trocamos as roupas normais por roupas termais, e depois seguimos para a parte norueguesa da Lapônia, para andar de trenó com as renas.

Durante a corrida de trenó, o guia sami ficou conversando comigo sobre a sua cultura, língua, e ainda ofereceu para tirar fotos minhas também. Nevava sem parar, e foi até difícil tirar foto com aquelas condições climáticas, porque minha câmera quando funcionava, ficava cheia de neve na lente, e quando eu conseguia limpar, ela desligava automaticamente por causa do frio.

Fizemos carinho nas renas e as alimentamos. São os animais mais encantadores e lindos que eu já vi na minha vida. As renas que conheci eram dóceis, com exceção de uma mais jovem que, segundo o guia, estava ainda sendo treinada.

O tour terminou com uma refeição que incluia um refresco (acredito eu, de frutas vermelhas, bem gostoso) e uma sopa com cenoura, batata e carne de rena. Preciso dizer que: a carne de rena, é a melhor carne que eu já comi em toda minha vida. Enquanto comíamos já dentro do lavvo de novo, um outro guia de turismo nos contava histórias sobre a cultura sami e nos mostrava objetos de caça que eram usados antigamente e as roupas. Para finalizar, o guia cantou um “joik”. Segundo o guia, não há uma definição certa que explique a verdadeira essência do “yoik” ou “joik” (mas é como se fosse uma “cantarolação”).

Tour pelos fiordes

Quando eu cheguei no centro turístico de Tromsø, não imaginava que eu estivesse em um grupo com quatro asiáticas amigas, foi uma experiência bem engraçada. Entramos em uma van, e durante o percurso do nosso tour, o guia, Bjørnar, ia parando nos lugares para que a gente pudesse tirar fotos.

Eu acho que eu teria gostado mais se eu tivesse feito este tour durante o verão. Tirei fotos, mas depois de duas horas olhando apenas neve, eu perdi a vontade de fotografar, pois as fotos me pareciam sem vida e sem graça, não tinham cores! Dica nº4: faça esse tour durante o verão ou primavera.

A única vez que eu pedi para que o guia parasse — porque todas as outras vezes que ele parou, foi por causa de uma moça do grupo de amigas de Taiwan — foi para que eu pudesse tirar foto de uma casa abandonada que tinha no meio de uma estrada.

No final, fomos até a empresa responsável pela atividade, e tomamos uma sopa de salmão, com pão de alho (que gostei bastante). Fiquei conversando com o dono da empresa, mas nem sempre a gente conseguia entender um ao outro, porque o inglês dele era fraco, e o sotaque era bastante forte. Tanto Bjørnar, como o dono da empresa, eram super simpáticos!

Caçando a aurora polar

Arriscar ou não arriscar? Eis a questão.

Normalmente, as pessoas acreditam que basta ir para a Noruega durante o inverno, que as suas chances de ver a aurora polar são quase certas. É verdade que a possibilidade de presenciar o fenômeno aumenta, mas não dá para criar expectativas.

Chequei a previsão do tempo várias vezes antes de comprar a passagem para a Noruega, e estava esperançosa que iria conseguir ver a aurora polar, mas, quando cheguei em Tromsø, o céu estava nublado. Comprei o tour para caçar a aurora polar com medo de jogar o dinheiro fora.

O guia de turismo logo perguntou se alguém gostaria de desistir do tour, já que o céu estava nublado, e ele mesmo achava que não veríamos nada. Felizmente, todo mundo ficou sentado dentro da van e fomos em frente. Paramos em um supermercado (onde eu tentei fazer contato visual com um caixa super bonito haha) para que o guia, Peter, pudesse comprar algumas comidas para a gente.

Depois de duas horas dirigindo, Peter encostou a van no meio da estrada, e tirou fotos. Ele disse que tirar fotos é um bom método para saber aonde teremos mais chance para ver as luzes — como as lentes das câmeras são mais sensíveis, elas captam mais facilmente o fenômeno. Peter emprestou o tripod dele para mim e tirei a foto — eu tinha capturado um verde bem ao fundo, atrás das montanhas!

Voltamos a van e paramos em Sommarøy — uma ilha próxima a Tromsø. Embora fraca, conseguimos ver a aurora polar e com certeza, este foi um dos momentos mais especiais da minha viagem. O céu mais lindo que eu já vi em toda minha vida, dava para ver todas as estrelas e constelações. Mal podia sentir meus pés, e mesmo assim eu era uma das poucas pessoas que estavam animadas e com vontade de ficar lá, deitada na neve e olhando para o céu deslumbrante e brilhante.

As pessoas que eu conheci durante esse tour foram muito simpáticas! Conheci duas velhinhas inglesas fofíssimas, que tinham um sotaque britânico carregado e conheci uma moça de Cartagena, que estava com a família.

Estavamos na beira do mar, o vento era muito gelado. O guia resolveu fazer uma fogueira e assou em uma frigideira mini hamburguinhos de carne de alce — a segunda melhor carne que eu já comi em toda minha vida — e também fez chocolate quente para todo mundo.

Trenó com huskies

A moça do centro turístico havia me dito que já tinha esgotado, mas como eu não desisto facilmente, fiquei procurando na internet empresas que ofereciam tal passeio e encontrei uma que me disse que ainda tinha vaga disponível.

Optei por fazer o passeio de noite e provavelmente foi o frio mais absurdo que eu peguei lá. Primeiro a guia nos contou a história da empresa e explicou como é o comportamento dos huskies. Nos levou para brincar com os cães adolescentes, que segundo a guia, são muito agitados e adoram roubar objetos das outras pessoas (e é verdade, um deles tentou arrancar minha luva) e depois nos mostrou os filhotinhos.

Eram mais de 300 huskies, cada um tinha sua própria casinha. Toda vez que eu me abaixava vários vinham pular em cima de mim e me lamber. Lembro que eu sentei em cima de uma casinha, e três cachorros, um deles, macho (e pesado) vieram brincar comigo e me lamber! Era muita fofura <3 Eles também tentavam arrancar a luva da minha mão o tempo inteiro.

A corrida de trenó foi demais! Eu esperava um pouco mais de velocidade, mas ainda sim gostei muito.

O tour encerrou com uma refeição — novamente a sopa de cenoura, batata e carne de alce — e um bolo de chocolate como sobremesa.


Outras informações:

Tromsø – Visit Norway

Tromsø Kommune 

Tromsø Lapland (empresa com a qual comprei o ‘Reindeer Sledding and Sami Culture‘)

Tromsø Wilderness Center (empresa com a qual comprei o ‘Dog Sledding‘).

Arctic Trip (empresa com a qual comprei o ‘Basic Northern Lights Tour‘)

Ersfjordbotn Kystferie (empresa com a qual comprei o ‘Discover the fjords of Kvaløya‘)

Hurtigruten



2 thoughts on “Minha aventura congelada: Tromsø”

  • Eu sou apaixonado pela Noruega e meu sonho é poder ir um dia lá. Quero muito ir em Tromso. E não me contento de voltar embora sem passear de trenó com os cães e “caçar” a Aurora Boreal. Obrigado por compartilhar sua história

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